
Este livro tem duas características fundamentais: a originalidade do estilo e a profundidade psicológica no enfoque de temas aparentemente banais. A linha condutora é a estória de um imigrante nordestino deslocado e perdido na grande cidade do Rio de Janeiro. Através desse personagem, descortina-se a pobreza "feia e promíscua" e ao mesmo tempo a singeleza de vidas tão pouco interessantes. A narrativa, cheia de digressões (que fazem lembrar o estilo machadiano), vai além da descrição realista de um cotidiano inexpressivo - questiona os valores da sociedade moderna, o papel social do artista contemporâneo e a própria existência humana. A Hora da Estrela transita entre o lado trágico e o lado esplêndido da vida, entre a fragilidade e a grandeza do ser humano. O tema da solidão tem a função de dar destaque às desigualdades sociais e ao enigma da vida, imprimindo novas perspectivas aos problemas e indagações que nos cercam.

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